
Criticando BUFFY (Parte I)
30/01/2009Bem, resolvi fazer um post crítico sobre as temporadas de Buffy a Caça Vampiros, expondo o que eu considero bem e mal sucedido nelas. Nada muito aprofundado, somente comentários críticos mesmo, dando o exemplo de que gostar e admirar são coisas diferentes. Buffy é a obra de arte que mais amo, mas não é por isso que vou desconsiderar seus defeitos e ser parcial nos meus julgamentos. E também não é por ela ter alguns defeitos que ela vai deixar de ser uma das melhores séries que já existiram.
Obs.: As notas são para a temporada com um todo, como se cada ano fosse um livro (como Harry Potter, por exemplo), e não uma média da qualidade individual dos episódios. Para ver meus critérios de julgamento, ver post Como Julgar a Narrativa.
Obs2: “Arco” é a expressão técnica para uma história desenvolvida no decorrer de vários episódios, que tenha começo, meio e fim. Podem existir arcos tanto de caráter externo (conflitos de ação, fantasia, aventura, derrotar um vilão), como de caráter humano (conflitos internos dos personagens), ou que seja as duas coisas ao mesmo tempo.
TEMPORADA 1
O primeiro ano de Buffy, apesar de ser visto com bastante simpatia e nostalgia por quem já experimentou as verdadeiras qualidades da série, é também um desafio de paciência pra os novatos. Com exceção dos excelentes “Angel” e “Prophecy Girl”, os episódios dessa temporada oscilam entre péssimos e fracos em narratividade e profundidade, apesar de extremamente criativos. Com excessão de Buffy, os personagens aqui não parecem passar de estereótipos, superficiais. São fracos, como quase tudo o mais nessa temporada. A estrutura já é a estrutura que a série sempre adotará: arco de fantasia envolvendo um grande inimigo (no caso, o divertido Mestre), permeado por episódios independentes do arco. Apesar de todos os defeitos, como falei, é impossível pra um Buffymaníaco não ver essa temporada com saudosismo, pois apesar de ser infantilesca a la Gossebumps, possui uma leveza que a série nunca mais voltou a ter.
A melhor narrativa: “Prophecy Girl”
O mais criativo: “Nightmares”
O mais profundo: “Prophecy Girl”
Meu favorito: “Prophecy Girl”, quando a leveza vai pro espaço e tudo passa a ser mortalmente sério.
TEMPORADA 2
A segunda temporada é extremamente consagrada e elogiada, mas é irregular, tanto no sentido individual como no todo. Individualmente porque a primeira metade da temporada tem alguns episódios fraquíssimos, mas no geral a qualidade é imensamente maior com relação ao primeiro ano. O fator fantasia a série melhorou, com episódios mais sombrios, maduros, violentos e desafiadores. Como um todo, porém, o arco que se forma (as ameaças de Spike e Drusilla) não consegue inspirar um grande desafio.
No entanto, no clássico episódio duplo Surprise/Innocence, Spike e Drusilla ganham um novo aliado, e o arco da temporada finalmente deixa de ser fraco para ser absolutamente espetacular. Pode-se dizer, inclusive, que é nesse episódio que a série toda realmente começa, pois Innocence não só é um primor de narratividade, é também um primor de criatividade e profundidade, e é a primeira vez que a série alcança tais níveis. Além disso, é considerada por muitos a melhor metáfora que a série já teve. A reviravolta que ocorre nesse (único) arco da temporada é de tamanho brilhantismo que a gente acaba se esquecendo dos vários episódios realmente esquecíveis que houveram aqui, e no fato de que o arco era fraco até agora. Enquanto isso, os personagens secundários começam a se desenvolver, a ganhar substância e se sentirem mais seguros como combatentes do mal. No entanto, é Buffy e Angel que brilham aqui.
A melhor narrativa: “Becoming pt2″
O mais criativo: “Innocence”
O mais profundo: “Becoming pt2″
Meu favorito: “Becoming pt 2″, onde a tragédia poética alcança seu ápice.
TEMPORADA 3
Todos os defeitos da temporada anterior foram “consertados”, enquanto as qualidades permaneceram. Individualmente falando, todos os episódios dessa temporadas são ou excelentes ou primorosos. Talvez um ou outro não chegue a esses níveis, mas no geral, a qualidade surpreende. Como um todo, a temporada é pura maestria, com uma estrutura perfeita e extremamente coesa, e uma impecável integração entre todos os arcos.
Dessa vez há vários arcos paralelos sendo desenvolvidos. O arco do Big Bad (aventura, fantasia, que se refere ao grande vilão) é a ascenção demoníaca do prefeito Wilkins. Os outros arcos são de caráter humano (diferente do que vinha sendo feito, onde os conflitos humanos eram parte do arco de fantasia): um deles se refere a chegada de Faith e como isso afeta o grupo; outro arco é o de Buffy e Angel e a tentativa de um novo relacionamento; e outro arco é a atração entre Xander e Willow, quando ambos estão comprometidos.
Bem, todos os arcos são desenvolvidos com brilhantismo, com excessão do de Xander/Willow, que simplesmente não soa realista e é, infelizmente, irritante. Esse, porém, não chega a ser um problema que comprometa a genialidade da temporada. Além de ser uma narrativa extremamente bem feita, ainda estão presentes a criativividade e profundidade extremas, formando uma temporada que, para mim, é a melhor temporada de qualquer seriado de qualquer época.
A melhor narrativa: “Graduation Day pt1/pt2″
O mais criativo: “The Zeppo”
O mais profundo: “Consequences”
Meu favorito: “Helpless”, onde Buffy mostra a verdadeira fonte do poder.



